sábado, 20 de março de 2010

Ah, a Fantasia

Quando criança eu me indagava se, ao crescer, ainda iria gostar de livros sobre fantasia, trilha sonora de filmes e de sonhos. Eu dizia a mim mesmo que sim, pois envelhecer não tem que significar mudar, embora não tivesse nenhuma certeza quanto a isso. Deveria ter.

Hoje, almoçando no shopping não pude deixar de passar numa livraria, um dos lugares nos quais me sinto bem, como se nada além de livros existisse no mundo; seria feliz assim. E dentre as diversas colunas repletas de histórias e conhecimentos, sempre acabo me dirigindo para as prateleiras entituladas "infanto-juvenil". Na qual há heróis, donzelas, grandes vilões e felicidade eterna escondida dentre aquelas páginas secas.

E curiosamente me peguei lendo Alice no país das maravilhas, uma história que todos, inclusive eu, conhecem de ponta a ponta, de trás para frente. Porém, não me canso de abrir aquela publicação e encontrar um mundo de fantasia e de sonhos, no qual penetro e se pudesse, não sairia mais.

Ah, a fantasia. Sinceramente não sei o que seria de mim sem ela, o que eu pensaria, como eu agiria. Metade do que eu sei e sou provém dos livros, e ter sido um adolescente silencioso que não mantinha a cabeça em outro lugar, senão em realidades irreais, me protegeu de diversos perigos que surgiram no meu caminho.

Seja em Nárnia, na Terra-Média, em Hogwarts...seja onde for, lá eu estava sendo preparado para a minha vida adulta, na qual eu não posso me ausentar por muito tempo da realidade. Pois fechar os olhos e sonhar pode ser arriscado.

Mas não lamento, vivi longas eras em terras longínquas, sem ter que enfrentar o mundo real, e agora que o tenho de fazer, sinto-me protegido por todos aqueles deuses e seres fabulosos, que hoje vivem dentro de mim, e se manifestam nos meus momentos mais duros. Aqueles momentos nos quais não posso recorrer a criança silenciosa que eu era, e que ainda posso sentir, vivendo em algum lugar da minha existência. Entre livros empoeirados.

sexta-feira, 19 de março de 2010

De um lado e de outro

Há pouco a ONU divulgou mais um dos seus relatórios sociais, nos quais o Brasil, tradicionalmente, figura nas piores posições.

Os dados atuais dizem respeito às cidades com maior desigualdade social do mundo. Dentre elas, estão Goiânia, Fortaleza, Belo Horizonte e Brasília (sim, a mesma Brasília de IDH elevado). A divulgação dessa informação para nós brasileiros não chega a fazer cócegas, pois não precisamos de números de orgãos internacionais para conhecermos a realidade dos centros urbanos do nosso país, que a cada dia tornam-se mais ricos e mais pobres. Mais desiguais.

É claro que desigualdade social não é um (des)privilégio de países subdesenvolvidos, pois cidades como Washington D.C figura dentre aquelas cujo abismo entre as classes altas e baixas é mais profundo que o Grand Canion. Porém, em nações como o Brasil, esse problema toma proporções muito maiores que nos E.U.A por exemplo, uma vez que ser pobre por aqui, muitas vezes significa estar fadado a uma vida de privações com um futuro sem muitas expectativas de mudança.

No Rio de Janeiro por exemplo, uma das maiores reclamações dos jovens é quanto a educação técnica que o governo estadual lhes oferece. Pois não gera reais resultados com retorno financeiro. Empregos, em uma palavra.

De qualquer modo formar massas de técnicos alienados para trabalhar em multinacionais já é um grande erro desse país; porém, pelo menos de um emprego digno os jovens necessitam, uma vez que educação de verdade, baseada em ideias e no pensamento o governo não oferece.

E dentre o ruim e o pior, parece que tem-se eleito o pior, pois além de alienados, agora os jovens também andam desempregados. E no que isso resulta? Em mais uma geração de pobres.

Às vezes eu me indago: "Afinal, para que serve essas pesquisas da ONU? Para mostrar ao mundo desenvolvido como é dura a realidade dos pobres amigos do Sul?"

Desconfio que sim. Pois não é de hoje que nosso país é alertado quanto os problemas sociais que enfrentamos, e não tenho notado muitas mudanças nos últimos anos.

Disseram-me que a população da favela decaiu 16% nos últimos 10 anos, e que a classe média representa 51% do povo do Brasil, e que a luta pela desigualdade social vem gerando resultados, e resultados expressivos.

O engraçado é que fora da tela deste computador, não consigo enxergar essa mudança que nosso amado PT tem proclamado há oito anos. Pois a cada vez que pego um ônibus, trem ou metrô, deparo-me com uma realidade muito semelhante a essa apontada pela ONU: de um lado da janela do coletivo vejo um conversível vermelho, do outro, uma favela vastíssima, que se perde no horizonte. Nesse tal país de todos.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Cedo ou tarde, sempre voltamos

...

É estranho como esse blog transmite fielmente meus sentimentos. Quando tenho ódio, meus textos são mais perigosos que um cão raivoso. Quando estou apaixonado, essa página fica mais melada que criança com chocolate. Quando estou feliz isso daqui parece uma manhã primaveril. E, quando estou recluso, introspectivo, preocupado com meu caminho ou angustiado, as coisas aqui ficam como eu: silenciosas.

E no silêncio o blog ficou por muito tempo. Talvez porque eu tivesse que estudar para o vestibular, talvez porque eu tivesse provas na escola, talvez porque eu sentisse que muitas coisas iriam mudar, talvez porque eu simplesmente não quisesse escrever.
Não importa.

Muitas coisas mudaram desde a última vez em que postei algo aqui. Lembro-me do dia como se ainda fosse hoje. Chovia, eu estava feliz. Hoje está frio, e feliz não é um adjetivo que usarei para essa noite.

Começar uma vida nova numa cidade nova está sendo uma experiência tão única, tão intensa, que até outro blog surgiu disso, o 3 folhas. Porém, prometi a mim mesmo que jamais abandonaria o Meu estranho mundinho insano. O sinto como se fosse um filho, ou uma parte de mim que deposito na internet a cada vez que deixo minhas palavras aqui registradas.

Quando criei esse blog, pensava em falar sobre mim. Porém, comecei falando sobre coisas, depois sobre pessoas, sobre literatura, sobre o mundo. E então me perguntava: "onde estou eu nessa história? Não deveria ser afinal, o MEU estranho mundinho insano?"

Talvez essa também tenha sido uma das razões do meu afastamento. Talvez não. Isso também não importa.

O que importa é que, percebi que não falando de mim, eu escrevia exatamente sobre meus sentimentos e opiniões. Eu me escondia entre adjetivos e adverbios, exclamações e pontos finais, acentos agudos e circunflexos

E talvez por finalmente ter entendido de que maneira estou inserido e faço parte desse blog, é que senti uma necessidade muito grande de voltar a habitá-lo, e a dividir com quem quiser ler, minhas experiências

Experiências essas que eu mesmo já achei bem entediantes no passado, mas que tenho certeza, de que a partir desse texto, não serão mais

I´m back, e dessa vez, para não mais partir.

Retornando de muito distante

Mesmo tendo ficado tanto tempo longe, eu não me esqueci do Meu estranho mundinho, e decidi retomar as atividades por aqui hoje.
Então, vou começar postanto um miniconto antigo, creio eu que seja de 2007, ou 2006, uma época em que eu ainda sonhava com inúmeros futuros e tinha muito tempo livre para escrever.

O amor deles é o título desse texto. De quem é o amor, não sei. Pode ser seu se quiser, eu dou o total direito de pegá-lo emprestado.


O Amor deles

Os dois desceram as escadas juntos, um mal reparando na presença do outro. Não sabiam, mas ambos seguiam para o mesmo lugar; seria o destino ali agindo?Logo eles entraram num corredor vazio, então notaram-se pela primeira vez. Observaram-se e avaliaram-se pelos cantos dos olhos; sabiam que um fazia o mesmo que o outro, e isso agradava-os.Detiveram-se então à porta de um velho apartamento, um notando a intenção do outro; mantiveram-se imóveis.Trocaram então olhares, e sorriram. Naquele momento já estava feito, mas eles não sabiam.Uma terceira pessoa apressada abriu caminho entre os dois entrando no apartamento; eles seguiram-na.Já não importava o porquê de estarem ali, um queria apenas conhecer o outro, e nada mais.Conheceram-se por fim, e apaixonaram-se. Sim, pois a paixão precede o amor, se houver amor é claro.A paixão é como um bebê, e o amor é o adulto, se a criança sobreviverá aos contratempos do caminho, ninguém pode saber.Mas nesse caso a paixão sobreviveu, e tornou-se amor.Mas não foi fácil, pois o amar nos dias de hoje quase não é permitido. Perdeu-se o verdadeiro sentido do que é amor.Amor é amor. Independe de opinião, aprovação ou aceitação. É apenas o singelo e maravilhoso amor.Mas aos dois não foi permitido amar. Diziam-nos imcompatíveis, não acreditavam naquele sentimento, e como era de se esperar, deram-lhes as costas.Mas o amor falou mais alto. Eles amavam-se e era isso o que realmente importava, era apenas os dois e nada mais fazia sentido na vida.Amaram-se então, sozinhos mas juntos. Deixaram para trás todos aqueles que lhes criticaram, esqueceram-se daquela vida vazia que levavam, pois para os dois a vida começou naquela tarde quando mal haviam notado um ao outro.O amor enfim venceu! E as pessoas finalmente acostumaram-se aos dois, não aceitavam aquele sentimento, mas respeitavam-no.E era apenas isso que eles desejavam: Liberdade para estarem um ao lado do outro, e respeito, para seguirem seu caminho com dignidade.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Madonna, Britney e Gaga - Porquê agora?


Quando criança, minha mãe costumava me dizer "que tudo tem seu tempo". Eu, teimoso como devia ser, não concordava com suas palavras; hoje posso ver que ela estava certa.
Lady Gaga a cada segundo que se passa sobe mais e mais nas paradas de sucesso de todo o mundo, solidificando sua carreira e mostrando a todos que ela, sim, veio para ficar. Mas porque agora?

Há quase três décadas (sim, já faz um bom tempo) Madonna surgia no cenário musical norte-americano. Poucos naqueles seus primeiros anos poderiam prever que ela se tornaria a Rainha do Pop, e que passado três gerações, seu poder ainda seria enorme. Mas como toda rainha, Madonna também tem seus dias contados, e na linha de sucessão muitas princesas já ambicionaram seu trono.

Britney Spears por muitos anos foi a mais cotada, sendo apresentada ao mundo como a sucessora da grande senhora da música Pop. A Princesinha desempenhou por longos anos muito bem seu papel, tornando-se uma das personalidades mais importantes e influentes do fim do século XX e início do século XXI.

Mas, apesar de tudo, o destino parece ter brincado com a vida de Britney, colocando-a num carrinho de Montanha-Russa, derrubando não só a personalidade Spears, mas também a mulher, esposa e mãe que existia atrás dos flashes e capas de revistas.

Britney acertou em muitos quesitos. Foi paciente, não competiu com Madonna (como muitos fazem com a senhorita Spears), encantou as massas, agradou os críticos (até o inagradável Perez Hilton), chocou, escandalizou. Tudo como o manual previa.

Mas eis que surge, no fim da primeira década do século XXI uma nova voz potente, um rosto diferente, um estilo alucinante e um cabelo loiro como o de todas as outras aspirantes à Rainha de alguma coisa. Lady Gaga é seu nome, e suas referências à cultura Pop dos anos 80 vão além do seu título.

Essa mulher que ousa em suas letras, choca em seus beijos gays e deixa qualquer um invejoso de seu guarda-roupas é a mais nova herdeira do trono Pop. Mas o que torna Gaga apta a reinar e o que desqualifica a princesinha Britney?
A resposta é simples: A época.

Lady Gaga é a cara do mundo pós 11 de setembro, do terceiro milênio. Ela é tudo aquilo que sonhávamos para o século XXI quando ainda crianças ansiávamos um futuro prateado. E Gaga foi capaz de combinar todos os signos que representam a nossa sociedade em sua arte.

Seja no excesso de cores, no brilho exagerado, na constante presença do dourado e do prata. Ou em seus clipes em clima de delírio noturno (que Salvador Dali invejaria), nas letras que cantam sobre a vida que qualquer um gostaria de viver, ou até mesmo nas melodias dançantes de suas músicas que embalam nossas noites de Sábado.
Sim. Lady Gaga é uma mulher de seu tempo.

Madonna já vinha anunciando um mundo como o nosso há anos, e dessa forma ajudou-nos a enxergar uma saída do século XX, iluminando-nos o caminho.
Britney Spears, por sua vez, atuou como a parteira (desculpem-me pelo exemplo) da nova era que estava por vir. Agindo como uma ligação, um elo, uma ponte pela qual pudéssemos atravessar entre o velho e o novo, preparando-nos para o que logo chegaria.

Ela rompeu o último entrave da música Pop. Sua queda nos anos de 2006 e 2007 devem ser vistas não como uma derrota, mas sim como um grito de vitória dolorosa. Sua cabeça raspada e sua peruca rosa (um luxo de peruca aliás) gritaram ao mundo: "Acabou, e que comece o século XXI".

Gaga assim surge como a responsável pelo novo mundo que por vinte anos veio sendo tecido e desbravado pela rainha e pela princesa. E a corte, finalmente se completa.
Rainha, princesa, e agora, Lady. Todas responsáveis pela perpetuação dessa linhagem magnífica que nos presenteia com seus sons e hábitos que invejamos e imitamos todos os dias, pois eles representam tudo aquilo que queremos ser.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O que não pode se levar

Escreveram meu nome numa folha de papel. O Vento veio e a levou.
Restou então apenas a lembrança.
Havia um nome, havia letras bagunçadas, meio sem sentido. Havia uma intenção.
Mas o vento veio e também a levou.
Restou agora apenas o desejo.
O sentimento.
A vontade e a realização.
Que o vento também levou.
Restou o vento então, cheio de si por tudo ter levado, por nada ter deixado pelo caminho. Por ter ficado sozinho.

Sozinho...

O Vento não podia se levar...

João reatador de nós - Call me iff you need

Escrevi isso do ponto de vista de uma amiga, por isso não reparem o eu lírico feminino. =)
João reatador de nós! Cobro baratinho, prometo xD


As palavras que fogem de mim se refugiam no desespero da expectativa de um amanhã solitário. Saí da escuridão sem você, e desde então caminho na sombra de sua ausência.

Perdida nos embalos de nosso louco amor me deixei envolver pelo doce aroma de palavras fáceis e lascivas. E você dançou comigo a valsa de uma mentira, trilhando o caminho da ilusão que nos conduziu à escura noite. Eu sozinha, você também. Entre nós, palavras nunca ditas.

Eu tentei explicar e tentei entender. Mas a noite ainda era longa, e o abismo entre eu e você crescia com as sombras da dor da solidão, a dor da separação.

Tentei dizer que aquilo era amor, que era paixão. Mas seduzido por outras palavras você se deixou levar por novas mentiras, e por outros caminhos seguiu. E eu ainda sozinha na profunda noite de solidão.

E lutei, e gritei, e eu te amei. Nós lutamos, gritamos, nos amamos.
E foi como a primeira vez, como o primeiro dia de nosso amor. Inocente como uma criança ao nascer, doce como só você sabe ser, claro como o surgir de um novo dia.

Mas o amor não é feito apenas de luz, nele também há escuridão. Nele há dia, nele há noite, felicidade e ilusão.

Mais uma vez o escuro e o frio se aproximam, e desta vez quero estar ao seu lado, de mãos dadas para enfrentar as ameaças ao nosso louco jeito de amar. E assim atravessaremos a sombria noite que desta vez já não será de solidão. Eu dizendo palavras de amor, e você entendendo que te amo e que me amo também, pois já não somos eu e você, mas sim um só. Na noite de união.