
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Lost
Nós Cientistas Sociais somos confusos. E assim somos pois nos perdemos no labirinto do nosso objeto de estudo, a sociedade.
E deixamos num canto o bom senso, no outro a praticidade e num outro a lucidez.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Sexta-feira
Sabem o que eu sou?
Sou a relva verde
O sol dourado
O caminho no qual piso
Sou a tristeza e a dor
Sou o pensamento
A manifestação
Sou também o outro
O homem ao meu lado
De rosto marcado
Velho
Triste
Sujo
Homem
Sou a mulher grávida
Negra
Linda
Mais homem que mulher
Sou a criança adormecida
Sou o caminho
A verdade
E a vida
Mas antes de tudo
Acima de tudo
Mais do que todas as coisas
Eu sou o erro
O meu e o seu
E sabem o que eu não sou?
Não sou a vergonha
Não sou o silêncio
Não sou você
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
De amigos, sorrisos e muita história
Faz tempo que não posto algo descontraído por aqui. Talvez porque não estivesse descontraído nos últimos tempos, ou talvez porque simplesmente a descontração não estivesse na moda em Paris.
Pois bem, voltei bem humorado pra cá hoje!
Há algumas horas atrás tive uma das minhas aulas preferidas do semestre: História Econômica Política e Social do Brasil, e o assunto da aula de hoje foi ciência, urbanização e saúde na primeira república.
Como a Unicamp é uma universidade paulista sempre lemos muitas coisas sobre São Paulo, e é engraçado ver autores tratando as terras do interior, as terras do Oeste, como Sertão.
E de tanto escutar essa designação na aula não me aguentei e tive que fazer o trocadilho com um querido amigo (Danilo Piaia) e deu no que deu:
Ser tão
Vazio
Ser tão
Sozinho
Ser tão
Vermelho
E verde também
Ser tão
Na dele
Ser tão
Parelho
Ser tão
À parte
Ser tão
Desastre
Ser tão
Sem arte
Ser tão
Sem graça
Ser tão
De vida
Sob o sol tecida
Ser tão...
Sertão!
Mas nunca
Certinho
-
Quando o escrevi hoje na sala muitos riram, mas alguns não entenderam algumas coisas, como por exemplo, as cores. Ao citar o vermelho e o verde faço uma referência ao café que moveria a economia daquilo que se chamava de sertão. O vermelho do solo, o verde dos vastos cafezais.
Espero que entendam o jogo de palavras que nao resisti fazer, sobre o que era o sertão, e sobre o que é SER TÃO.
sábado, 30 de outubro de 2010
(In)Sensível
Me chamam de insensível
Por nunca me verem chorar
Me chamam de insensível
Por não ligar pra causas universais
Me chamam de insensível
Por não dizer "Te Amo"
Me chamam de insensível
Por apenas ser quem eu sou
Me chamam de insensível
Me chamam de frio
Até de desumano
Não sou um nem outro
Apenas não vejo tudo ampliado
Não faço drama por nada
Simplesmente sinto tudo que os outros sentem
Mas em silêncio
E dentro de mim.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Existo, logo sonho
Eu faço da vida um sonho
No qual eu danço sob árvores
E corro campos verdes
Escondendo-me ora do sol
Ora da chuva
Eu subo montanhas
Eu durmo em cabanas
Navego mares sombrios
E amo a cada cais
Eu sou uma eterna criança
Numa roda sem fim
Num giro que dura o tempo
Que o tempo dura
Vivo sonhando
Pois prefiro isso a viver
Para sonhar.
domingo, 26 de setembro de 2010
Destroços
E ele parou
Na mesma esquina
Úmida
De pedra
Dura
Olhou ao redor
Para seu mundo desabando
Pedra a pedra
Ela se juntou a ele
No desespero
Na dúvida
E inquietação
Dançaram e choraram
Lágrima a lágrima
Eles correram por entre os destroços
Recolhendo pedaços de suas vidas
Pulando os muros da proibição
Contornando cercas da vergonha
E sangraram
Gota a gota
Nada fora como os sonhos
Os anseios e profundos desejos
Nada fora uma primavera de bailes
Ou um verão de alegrias
E quando finalmente perceberam o mundo ao redor
Ele caiu
Pedaço a pedaço
E tentaram fugir
Se esconder
Daquilo que eles próprios haviam criado
Sonho a sonho
Fugindo daquilo que haviam construído
Construíram aquilo que os havia destruído
Escolhas
Pararam então
Sobre as ruínas de seus ideais
E tiveram que escolher caminhos
Vidas
Mundos
Para, quem sabe, destruí-los novamente
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