sábado, 30 de outubro de 2010

(In)Sensível

Me chamam de insensível
Por nunca me verem chorar

Me chamam de insensível
Por não ligar pra causas universais

Me chamam de insensível
Por não dizer "Te Amo"

Me chamam de insensível
Por apenas ser quem eu sou

Me chamam de insensível
Me chamam de frio
Até de desumano

Não sou um nem outro
Apenas não vejo tudo ampliado
Não faço drama por nada
Simplesmente sinto tudo que os outros sentem
Mas em silêncio
E dentro de mim.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Existo, logo sonho

Eu faço da vida um sonho
No qual eu danço sob árvores
E corro campos verdes
Escondendo-me ora do sol
Ora da chuva

Eu subo montanhas
Eu durmo em cabanas
Navego mares sombrios
E amo a cada cais

Eu sou uma eterna criança
Numa roda sem fim
Num giro que dura o tempo
Que o tempo dura

Vivo sonhando
Pois prefiro isso a viver
Para sonhar.

domingo, 26 de setembro de 2010

Destroços

E ele parou
Na mesma esquina
Úmida
De pedra
Dura
Olhou ao redor
Para seu mundo desabando

Pedra a pedra

Ela se juntou a ele
No desespero
Na dúvida
E inquietação
Dançaram e choraram

Lágrima a lágrima

Eles correram por entre os destroços
Recolhendo pedaços de suas vidas
Pulando os muros da proibição
Contornando cercas da vergonha
E sangraram

Gota a gota

Nada fora como os sonhos
Os anseios e profundos desejos
Nada fora uma primavera de bailes
Ou um verão de alegrias
E quando finalmente perceberam o mundo ao redor
Ele caiu

Pedaço a pedaço

E tentaram fugir
Se esconder
Daquilo que eles próprios haviam criado

Sonho a sonho

Fugindo daquilo que haviam construído
Construíram aquilo que os havia destruído
Escolhas

Pararam então
Sobre as ruínas de seus ideais
E tiveram que escolher caminhos
Vidas
Mundos

Para, quem sabe, destruí-los novamente

sábado, 25 de setembro de 2010

A Beleza está no último lugar no qual a procuramos: No fim. Seja ele qual FLOR.

Caminho

De fome
No frio
Na noite
Ele morreu

Sozinho
Sangrando
Gritando
Implorando
Entregando cada pedaço
De sua alma rasgada
Por um momento mais

Vagou ruas molhadas
Pelas lágrimas que caíam
Não dele
Mas por ele
E seu destino

Machucava
Doía ver
Cada passo sobre os espinhos
De sua vida
Que se afundava mais
E mais
Na lama de suas escolhas

Antes de cumprir seu destino
Fatal
Ele parou numa esquina
Sorriu uma última vez
Chovia

E seguiu
Aquela trilha que até ali o havia conduzido
E ele sabia para que

Encolheu-se
Escondeu-se
E morreu
No cinza
Vagou
De sua existência
No frio
De sua vida
E ali permaneceu
Até a próxima vez

Além do homem, apenas homem

No quarto escuro
Vela acesa
Cama feita
Porta aberta

Um homem no meio
Um meio homem
Do quarto escuro

Uma chama queima
Não
Duas
Na vela
No homem
No quarto

Um espelho sujo
Um homem sujo
De vida suja
No quarto escuro

Um véu que cobre
Os olhos brancos
Mortos
Do homem do quarto
Escuro

Um medo no olhar
Um medo de olhar
Aquilo que ele se tornou

Uma chama
O chama
À morte
Ao fim
À luz

Um último olhar
O véu
O espelho
O homem
De olhos brancos
Mortos
Sujos
Homem

Queima, arde
Luz e nada
Além do véu
Além do espelho
Além do homem
Não há Além
Para o homem
Para ninguém

Arde,

Luz,

Queima,

Cinzas,

Fim.

E nada mais.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

4:22

Ele tinha todas as cores
E não tinha nenhuma
Ele dançava sob uma árvore
Uma ciranda da eternidade
Ele sorria
Ele odiava
Ele corria descalço na grama úmida
Sentia o ar gelado das montanhas em seus pulmões
E vivia

Ele perdeu todas as cores
E ganhou todas as outras
Ele parou, sentou, escutou
Ele deixou de odiar
Deixou de sorrir
Apenas se moldava
Ao que tinha de ser
Ele usava sapatos
Respirava cinza
E estava morto

Ainda o está