Estou cansado de toda poesia
Cansado de palavras soltas no vazio
Estou cansado de ouvir e então sorrir
Seu olhar, seguir
Por dentro queimo ao som de seus passos
Na tentativa de falsos abraços
Desse toque de ilusão
Que em sua loucura os nomeia laços
Estou farto de toda obrigação
Mentira, farsa, simples atuação
De que serve alimentar
Quem de fome
No deserto
já morreu?
Quero correr e saltar um precipício
Sentir o vento por entre meus braços
Rasgar essa mancha de nome amor
E então esfriar no mundo vazio
Mas os passos se aproximam
E agora sorrio.
sábado, 5 de fevereiro de 2011
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
No fim
E espero um dia, quando muito velho, sentar-me no alto de uma colina verdejante
olhar para todo o caminho de minha vida
e sorrir
não lamentar os erros
as perdas
os enganos e os infortúnios
não, não adianta lamentar
não voltarei outra vida para repara-los
quero apenas sorrir
de todas as bobagens
de todos os desvios
de todos os amores
de todas as perdas
pois no fim
a soma só dá um resultado
vitória.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Lost
Nós Cientistas Sociais somos confusos. E assim somos pois nos perdemos no labirinto do nosso objeto de estudo, a sociedade.
E deixamos num canto o bom senso, no outro a praticidade e num outro a lucidez.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Sexta-feira
Sabem o que eu sou?
Sou a relva verde
O sol dourado
O caminho no qual piso
Sou a tristeza e a dor
Sou o pensamento
A manifestação
Sou também o outro
O homem ao meu lado
De rosto marcado
Velho
Triste
Sujo
Homem
Sou a mulher grávida
Negra
Linda
Mais homem que mulher
Sou a criança adormecida
Sou o caminho
A verdade
E a vida
Mas antes de tudo
Acima de tudo
Mais do que todas as coisas
Eu sou o erro
O meu e o seu
E sabem o que eu não sou?
Não sou a vergonha
Não sou o silêncio
Não sou você
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
De amigos, sorrisos e muita história
Faz tempo que não posto algo descontraído por aqui. Talvez porque não estivesse descontraído nos últimos tempos, ou talvez porque simplesmente a descontração não estivesse na moda em Paris.
Pois bem, voltei bem humorado pra cá hoje!
Há algumas horas atrás tive uma das minhas aulas preferidas do semestre: História Econômica Política e Social do Brasil, e o assunto da aula de hoje foi ciência, urbanização e saúde na primeira república.
Como a Unicamp é uma universidade paulista sempre lemos muitas coisas sobre São Paulo, e é engraçado ver autores tratando as terras do interior, as terras do Oeste, como Sertão.
E de tanto escutar essa designação na aula não me aguentei e tive que fazer o trocadilho com um querido amigo (Danilo Piaia) e deu no que deu:
Ser tão
Vazio
Ser tão
Sozinho
Ser tão
Vermelho
E verde também
Ser tão
Na dele
Ser tão
Parelho
Ser tão
À parte
Ser tão
Desastre
Ser tão
Sem arte
Ser tão
Sem graça
Ser tão
De vida
Sob o sol tecida
Ser tão...
Sertão!
Mas nunca
Certinho
-
Quando o escrevi hoje na sala muitos riram, mas alguns não entenderam algumas coisas, como por exemplo, as cores. Ao citar o vermelho e o verde faço uma referência ao café que moveria a economia daquilo que se chamava de sertão. O vermelho do solo, o verde dos vastos cafezais.
Espero que entendam o jogo de palavras que nao resisti fazer, sobre o que era o sertão, e sobre o que é SER TÃO.
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